A resposta curta e honesta é: ninguém que habite a condição humana. Como pastor e terapeuta cristão, observo que a resistência ao processo terapêutico geralmente nasce de uma ilusão de autossuficiência ou do medo de encarar o que está guardado nos porões da alma. A verdade é que todos carregamos marcas, sejam elas oriundas de traumas explícitos ou das micro-agressões do cotidiano que moldam nossas reações e distorcem nossa visão de mundo.
A terapia não é um atestado de loucura, mas um exercício de humildade e coragem. No consultório, trabalhamos na intersecção onde as emoções feridas encontram o espírito sedento de restauração. Ignorar a saúde da alma sob o pretexto de uma espiritualidade "inabalável" é um erro perigoso; a graça de Deus não anula a necessidade de compreendermos nossa própria estrutura psíquica. Pelo contrário, o autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para que a espiritualidade seja vivida com integridade, sem as amarras de mecanismos de defesa inconscientes.
Quem acredita que não precisa de terapia geralmente é quem mais sofre com padrões repetitivos de autossabotagem e isolamento emocional. Admitir a necessidade de ajuda é o primeiro passo para a cura profunda. É no reconhecimento da nossa vulnerabilidade que abrimos espaço para uma transformação real, permitindo que a luz da consciência e a autoridade do Criador reorganizem o caos interno, devolvendo-nos a paz que excede todo o entendimento.
Leoberto Negreiros
