Vivemos em uma era de narrativas fluidas, onde a percepção individual muitas vezes tenta se sobrepor aos fatos concretos. No entanto, como pastor e terapeuta, observo um fenômeno perigoso: a tentativa sistemática de ignorar o real para sustentar o confortável. O título desta reflexão é uma verdade absoluta e imutável: negar a realidade, não muda a realidade.

 

A negação é um mecanismo de defesa da alma. Quando nos deparamos com uma dor insuportável, um erro cometido ou uma verdade espiritual que exige renúncia, o ego tende a fechar os olhos. Criamos um mundo paralelo onde nossas falhas são justificadas e nossas feridas são ignoradas. Mas o autoengano tem um preço alto. Enquanto negamos a existência de um abismo, não deixamos de caminhar em sua direção; apenas perdemos a chance de mudar a rota.

 

Na teologia, aprendemos que a verdade é libertadora. Mas a liberdade só vem após o confronto. Jesus afirmou: "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". Não há libertação sem reconhecimento. Se você nega o pecado, ele continua a escravizá-lo. Se você nega o trauma, ele continua a ditar suas reações emocionais. A realidade é como uma rocha: você pode ignorá-la, mas se colidir com ela, quem se quebra é você.

 
Mudar a realidade exige, primeiro, a coragem de olhá-la nos olhos. Admitir a falência, o vício, a crise no casamento ou o vazio espiritual é o primeiro passo da cura. A aceitação não é conformismo; é o diagnóstico necessário para a intervenção. Somente quando paramos de lutar contra os fatos é que ganhamos energia para lutar pela transformação. Encare o que é real hoje. A luz da verdade pode cegar no início, mas é a única que realmente mostra o caminho para a restauração.


Leoberto Negreiros