A cruz não foi o fim, mas o início de uma nova gramática da esperança. No ecossistema de fé que professamos, as cicatrizes de Cristo não são marcas de uma derrota passada, são os selos de uma vitória eterna e presente. Elas narram a história de um Deus que não apenas observa a dor humana, mas que decidiu habitá-la e transfigurá-la.
Muitos buscam um Messias estético, imune ao sofrimento. No entanto, o Evangelho nos apresenta o Rei com Cicatrizes. Essas marcas no corpo ressurreto de Jesus revelam que o sacrifício não foi um incidente de percurso, mas o próprio fundamento da nossa redenção. A esperança cristã não nasce da negação da dor, mas da convicção de que a ferida de Cristo é a fonte da nossa cura integral.
Quando olhamos para as mãos perfuradas do Redentor, compreendemos que a nossa própria dor pode ser um lugar de encontro com o sagrado. As cicatrizes de Jesus garantem que Deus conhece o peso da nossa existência. Ele não nos oferece um otimismo raso, mas uma esperança densa, forjada no fogo do Calvário e validada pelo túmulo vazio.
O sacrifício de Cristo é o ponto de inflexão da história. Nele, a morte foi tragada pela vida. Para o cristão, as cicatrizes são lembretes de que a última palavra não pertence ao sofrimento, mas àquele que venceu o mundo. Se você carrega marcas na alma ou no espírito, saiba que o Rei que governa o universo também as carrega.
Neste Rei com Cicatrizes, encontramos a força para prosseguir. Sua obra é completa, profunda e intensa. Nele, o nosso luto se transforma em dança, pois a esperança que nasce do sacrifício é a única capaz de sustentar a alma diante da eternidade.
Leoberto Negreiros
